Busca:

Ary Barroso

Ary de Resende Barroso
7/11/1903 Ubá, MG
9/2/1964 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Compositor. Pianista. Locutor. Apresentador.  Filho de  João Evangelista Barroso, deputado  estadual e promotor público em Ubá e de Angelina de Resende Barroso. Em 1911, pouco antes dos oito anos de idade, perdeu a mãe de apenas 22 anos, vitimada por tuberculose. Dois meses depois, o pai faleceu vitimado pela mesma doença. Foi criado pela avó, Gabriela e pela tia Ritinha, sua primeira professora de piano. Devido às dificuldades financeiras, com apenas 12 anos de idade, passou a ajudar à tia, fazendo ao piano fundo musical para filmes no Cinema Ideal.  Pouco depois, empregou-se como caixeiro na loja "A Brasileira", onde chegou a permanecer  por um período de seis meses. Cursou o primário na escola do professor Cícero Galindo, seguindo seus estudos no Ginásio São José. Deste,  por seu comportamento pouco disciplinado, passou pelos ginásios de escolas nas cidades de Viçosa, Leopoldina e finalmente Cataguases onde concluiu o curso. Por essa época, já freqüentava a boêmia local, era goleiro do Botafogo Futebol Clube de Ubá e desfilava no Bloco Ubaenses e Estrelas, contrariando a família que saía no Bloco Dragões e Opalas. Em 1919 foi pela primeira vez para o Rio de Janeiro. Em 1921, deixou Ubá definitivamente e passou a residir na capital da República, onde prestou vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Enquanto cursava a faculdade no período da manhã, voltou a fazer fundo musical para cinema mudo, trabalhando  de 14 às 18 horas no Cinema Íris e das 20 às 22 no Cinema Odeon. Com a carga intensa de trabalho, o curso iniciado em 1922 foi interrompido inúmeras vezes, e assim, só se formou em 1930, na mesma turma  do cantor Mário Reis. Envolveu-se com a política,  tendo  sido, em 1946, o segundo candidato mais votado da União Democrática Nacional (UDN) nas eleições para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.  Na política, venceu uma grande batalha, a construção do Estádio do Maracanã. Participou ativamente no campo da arrecadação do direito autoral, como membro da UBC (da qual foi primeiro presidente, em 1942), da SBAT e da SBACEM.  Em 1954, apresentou-se como convidado no programa "O meumaior sucesso", da TV Tupi e na ocasião, declarou que sua música predileta era o samba "Na Baixa do Sapateiro". No mesmo programa, conversou com os telespectadores dedilahnado piano seus sucessos. Falou ainda sobre sua desilusão por não ter conseguido se eleger nas eleições daquele ano e que não mais se candidataria. Reportando a presença do compositor no referido programa, assim comentou o jornal O Globo: "Ficamos com pena do velho Ary, mas sentimos ao mesmo tempo uma grande alegria com a notícia. Alegria real, profunda, patriótica, de ver que o veterano compositor desiste afinal dessa coisa feia e muitas vezes suja, para a qual não nasceu, e que se chama política, para prosseguir no seu destino sonoro de  criar melodias que nós cantamos hoje, e que os filhos dos nossos filhos cantarão ainda, com a mesma emoção e ternura. Não seria nunca um voto a favor de um novo hospital, de um cano de adutora ou de uma nova avenida que iria assinalar o seu nome na posteridade. Será dos acordes da "Aquarela do Brasil", da "Baixa do Sapateiro", dos "Quindins de Iaiá", do "Rancho Fundo" e de dezenas de outras canções que o nome de Ary Barroso será repetido, quando já estiverem em ruínas os hospitais, os canos de adutora e as avenidas que ele gostaria de aprovar na Câmara Municipal. Velho Ary Barroso, teu destino é a música, a grande música viva que o povo canta, e nós todos sentimos um orgulho imenso de ti, e do Brasil, quando nos chegam, mesmo desengonçados, em ritmo meio cubano, os acordes grandiosos da tua e da nossa "Baixa do Sapateiro", na voz de um Bing Crosby. Foi por isso que ficamos contentes, Ary, egoísticamente contentes, diante da tua amargura e da tua decepção. Foi por isso também que nós não votamos em ti para vereador. Em 1960, foi vice-presidente do departamento cultural e recreativo do Clube de Regatas do Flamengo, sua grande paixão. Pouco depois, adoeceu de cirrose hepática,  doença da qual  se restabeleceu em 1962, retomando seu programa "Encontro com Ary", apresentado  pela  TV Tupi e transmitido aos domingos. Em 1963, a Ordem dos Músicos do Brasil ameaçou proibir a execução de suas composições, por desentendimento entre as sociedades arrecadadoras UBC e SBACEM.  Em represália à decisão, a imprensa e o meio musical chegaram a realizar uma "Semana de desagravo", que incluiu concentração popular na Praça Serzedelo Correia.  Neste mesmo ano, sofreu nova crise de cirrose, tendo sido internado na Casa de Saúde São José,  onde teve uma breve recuperação. Pouco depois, sofreu uma recaída  e foi internado no Instituto Cirúrgico Gabriel de Lucena, onde faleceu. Notícia publicada no Jornal O Globo, em 7/11/1963 apresentava a seguinte manchete: "Ary chega aos 60 anos sem festa". Dizia a notícia: "Ary Barroso completa hoje 60 anos. Para tristeza de seus amigos, a data não poderá ser comemorada, pois o estado de saúde do popular compositor é melindroso. Embora da Casa de Saúde São José informe que Ary passou razoavelmente a tarde de ontem, seu médico dr. Aleixo de Brito, disse ao Globo que seu estado se agrava dia  a dia. Em 12 de fevereiro de 1964, assim noticiava o jornal O Globo: "O último adeus a Ary Barroso: Mais de cinco mil pessoas acompanharam o enterro de Ary Barroso, anteontem, no dia seguinte da sua morte. O caixão ia coberto por uma bandeira do Flamengo e conduzido, entre outras pessoas, pelo ministro Abelardo Jurema, representando o presidenbe da República, e pelo deputado Paulo Amora, que representava o governador". Um semana depois, o mesmo jornal dava a seguinte nota: "Candelária lotada de amigos de Ary: Com a igreja da Candelária inteiramente lotada, foi celebrada ontem por Dom Hélder Câmara a missa de 7º dia em memória de Ary Barroso, que contou com o coro do Teatro Municipal, representantes do mundo político e social, músicos (como Ataulpho Alves, Pixinguinha, Almirante, Vicente Celestino, Donga e João de Barro), artistas e amigos do compositor. Uma grande fila formou-se para dar pêsames à família de Ary, cuja mensagem de despedida - gravada em mil pequenos discos - será enviada aos amigos pelo seu filho, Sr. Flávio Rubens Barroso, que fez a gravação". Em 2003, ano do centenário de seu nascimento, sua filha Mariúza conseguiu definitivamente corrigir o nome do pai, que é na verdade, Ary de Resende Barroso e não Evangelista  Barroso, como até então vinha sendo divulgado.

Mais visitados
da semana

1 Sílvio Túlio Cardoso
2 Noel Rosa
3 Dorival Caymmi
4 Mumuzinho
5 Chico Buarque
6 Caetano Veloso
7 Gilberto Gil
8 Luiz Gonzaga
9 Festivais de Música Popular
10 Gonzaguinha