Manuel Pedro dos Santos
5/12/1870 Santo Amaro da Purificação, BA
15/7/1944 Rio de Janeiro, RJ
Um dos mais populares cantores do início do século, integrou ao lado de Cadete, Mário Pinheiro e Eduardo das Neves, o primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, pioneira na gravação de discos de gramofone no Brasil. É o astro do primeiro disco brasileiro, o que recebeu o número de ordem 1, do catálogo de 1902 da Casa Edison, intitulado "Isto é bom", lundu do compositor Xisto Bahia. Na gravação, improvisou versos referindo-se ao compositor, com grande saudosismo. Ainda no mesmo ano, destacou-se com a gravação da cançoneta "O arame", de Ernesto de Souza e gravou de Artur Azevedo a cançoneta "As laranjas da Sabina", de uma revista de sucesso no final do século anterior. Neste suplemento, aparece com os 73 primeiros discos, 54 chapas pequenas e 19 grandes. Pouco depois gravou da maestrina Chiquinha Gonzaga a música "Namorados da lua". Como cançonetista atuou no teatrinho do Passeio Público e no Circo Spinelli, chegando a figurar em pequenos filmes, como "O cometa" e "A seresta caipora" de 1910, "José do fandango quer cantar" e "Serrana", de 1911. Em 1913 gravou com o cantor Cadete o diálogo "O que é política", de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense a modinha "Palma de martírios". Em 1914, destacou-se com a gravação do maxixe "São Paulo futuro", de Marcelo Tupinambá e Danton Vampré e da toada sertaneja "A partida do tropeiro", de Catulo da Paixão Cearense e Chiquinha Gonzaga. No ano seguinte gravou com sucesso a marcha "Ai, Filomena", de J. Carvalho Bulhões. Em 1916, seu nome ficou definitivamente vinculado a outro momento histórico da discografia brasileira. Foi o intérprete de "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, sucesso do carnaval do ano seguinte, considerado o primeiro samba gravado. No mesmo ano, gravou com Vicente Celestino e Coro, o desafio sertanejo "Urubu subiu", de autor desconhecido. Em 1918 gravou o samba de carnaval "Quem são eles", de Sinhô, no qual o compositor iniciava uma polêmica musical com Pixinguinha e seus irmãos. Em 1919, gravou o samba carnavalesco "Já te digo", de Pixinguinha e China, resposta ao samba de Sinhô. No ano seguinte gravou com sucesso, juntamente com a cantora Izaltina o samba de carnaval "Quem vem atrás fecha a porta", de Caninha. Em 1922 gravou com a Orquestra Augusto Lima a marcha carnavalesca "Ai Seu Mé", de Freire Júnior e Careca, que satirizava o então candidato à presidência da República Artur Bernardes. O disco foi proíbido e chegou a ser recolhido pela polícia, sendo entretanto, um enorme sucesso naquele carnaval. No mesmo ano, lançou o tango fado "Luar de Paquetá", que virou grande sucesso no ano seguinte, ao virar nome de uma revista teatral. Em 1923 gravou a marcha "Goiabada", de Eduardo Souto, sucesso daquele ano e "Tatu subiu no pau", samba à moda paulista de Eduardo Souto. Conhecia inúmeras modinhas tendo sido intérprete de muitos sucessos. Na mesma época, gravou a marcha "pé de anjo", de Sinhô. Em 1977, foi lançado pela gravadora Odeon o LP Baiano da série Monumentos da Música Brasileira (Associação dos Produtores de Discos M.E.C |Funarte| I.N.M.) com gravações feitas entre 1902 e 1904 na Zon-O-Phone, e entre 1904 e 1918, na Odeon.

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MAI
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