Ouvir Djavan sempre foi uma experiência pouco usual desde que ele começou a carreira, vindo das Alagoas há mais de 20 anos. E por qual razão? Simplesmente pela originalidade de seus versos soltos e desparafusados, que permitem viagens estético-poéticas com várias interpretações e cargas. Mas não é somente isso. Djavan criou, aos poucos, uma bateria de músicas que ficam guardadas na cabeça de quem as ouve. Como esquecer “Açaí”, com sua linha melódico-harmônica, forte e incisiva? Impossível.
Por tudo isso ocorreu com Djavan o que muitos de nós esperávamos: o reconhecimento internacional, exatamente por suas melodias sedutoras, que têm um discreto cheiro pop, de presumível agrado universal.
Lembro-me que fui ouvir Carmen McRae em 1982 em Nova York, no Five Spot, um dos templos do jazz. A cantora só falou duas ou três únicas frases no meio do show para anunciar que cantaria duas músicas de um jovem compositor latino (argh!). E sapecou Djavan. Depois do espetáculo, fui ao camarim para informar que Djavan era brasileiro. Miss MacRae deu um muxoxo de desdém e retrucou quase sem me olhar: “Não me importa a mínima se ele vem do México ou da Argentina.” E aí o insulto foi proposital. Dei meia volta, saí do camarim furioso, mas soube naquele momento que o Brasil já tinha outro Tom Jobim a caminho.
Ricardo Cravo Albin

25
MAI
Aniversariantes
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Muraro
Paraguassu
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