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Inezita Barroso

Inês Madalena Aranha de Lima
4/3/1925 São Paulo, SP

Dados Artísticos

Iniciou a carreira nos anos 40, cantando músicas folclóricas recolhidas por Mário de Andrade, na Rádio Clube do Recife. Estreou como atriz no filme "Angela",  de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, em 1950, pela Companhia Vera Cruz, . No mesmo ano, estreou na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1951, passou a atuar na Rádio Record, onde apresentou em 1954, o programa "Vamos falar de Brasil". Ainda em 1951, gravou seu primeiro disco, interpretando "Funeral de um Rei Nagô", de Hekel Tavares e  Murilo Araújo e também "Curupira", de Waldemar Henrique. Em 1953, gravou "O canto do mar" e "Maria do mar", de Guerra Peixe e José Mauro de Vasconcelos. No mesmo ano, gravou dois de seus maiores sucessos, a moda "Marvada pinga", de Cunha Jr., e o samba "Ronda", de Paulo Vanzolini. Ainda em 1953, participou dos filmes "Destino em apuros", de Ernesto Remani e "Mulher de verdade", de Alberto Cavalcanti. Com este filme, recebeu o Prêmio Saci, de melhor atriz. Em 1954, gravou "Coco do Mané", de Luiz Vieira e passou ainda a apresentar, semanalmente, programas sobre folclore na TV Record. Recebeu o Prêmio Roquette Pinto de melhor cantora de rádio da Música Popular Brasileira, e o Prêmio Guarani como melhor cantora de disco. Participou dos filme "É proibido beijar", de Ugo Lombardi e "O craque", de José Carlos Burle. Em 1955, gravou as canções de domínio público, "Meu casório" e "Nhá Popé". No mesmo ano, participou como atriz e cantora do filme "Carnaval em lá maior", de Adhemar Gonzaga, que representou o Brasil no Festival de Punta Del Este no Uruguai. Ainda em 1955, recebeu novamente os Prêmios Saci, como melhor atriz, e Roquette Pinto, como melhor cantora de Música Popular, com o disco "Vamos falar de Brasil". Nesse período, realizou uma série de gravações de divulgação do folclore, que serviram para ilustrar um ciclo de conferências realizadas por professores da USP.
Seus trabalhos ficaram conhecidos por Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gasmann e Roberto Inglês, que, de passagem pelo Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde obtiveram divulgação em diversas emissoras.No mesmo período, no LP "Inezita apresenta", gravou composições de Babi de Oliveira, Juraci Silveira, Zica Bergami, Leyde Olivé e Edvina de Andrade, do folclore paulista, mineiro e baiano. Em 1956, publicou o livro "Roteiro de um violão". Em 1958, gravou outro de seus grandes sucessos, a valsa "Lampião de gás", de Zica Bergami e Hervé Cordovil. Gravou, também, a clássica toada "Fiz a cama na varanda", de Dilu Melo e Ovídio Chaves. Em 1960, gravou, de Mariano da Silva e Cornélio Pires, a moda de viola "Moda do bonde camarão", que tornou-se outro grande sucesso de sua carreira, e "Moda da onça", do folclore  recolhido por ela. Em 1962, saiu da Record e começou a enfrentar dificuldades para fazer gravações, em virtude da manutenção intransigente de uma linha de trabalho da qual não abriu mão. Em 1969, recebeu um troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, na cidade de Salinas no Uruguai. Nos anos 1970, dedicou-se a viajar realizando pesquisas musicais, além de realizar recitais pelo interior do país e fazer gravações para programas especiais para diversos países, entre os quais, União Soviética, Israel e Estados Unidos.
Em 1970, realizou documentário que representou o Brasil na Exposição 70, no Japão. Em 1972, lançou o segundo volume dos "Clássicos da música caipira", no qual interpretou, entre outras, "Rio de lágrimas", de Piraci, Lourival dos Santos e Tião Carreiro, "Divino Espírito Santo", de Canhotinho e Torrinha, "Destinos iguais", de Capitão Furtado e Laureano e "Rei do café", de Teddy Vieira e Carreirinho. Em 1975 gravou o disco "Inezita de todos os cantos", no qual interpretou pontos de candomblé, sambas anônimos do Rio de Janeiro e Niterói, números folclóricos de Mato Grosso, além das composições "Negrinho do pastoreio", de Barbosa Lessa e "Asa branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. A partir de 1980, começou a apresentar o programa "Viola minha viola", aos domingos, pela TV Record de São Paulo. Por essa mesma época, realizou recitais e conferências pelo Brasil, além de apresentar-se com Oswaldinho do Acordeon em shows do Projeto Pixinguinha. Em 1985, foi homenageada pela Escola de Samba Oba-Oba, de Barueri, em São Paulo, que cantou sua vida e obra em enredo de carnaval. No mesmo ano, após cinco anos sem gravar, lançou,pelo selo independente Líder, o LP "Inezita Barroso: A incomparável", cujo repertório foi escolhido pelos fãs. Nesse período, apresentou por cinco anos na Rádio Universidade de São Paulo o programa "Mutirão". A partir de 1990, e durante nove anos, apresentou na Rádio Cultura AM o programa "Estrela da manhã", das cinco às sete horas da manhã.
Em 1992, apresentou-se no Teatro do Sesc, em São Paulo, ao lado da violeira Helena Meirelles e da dupla Pena Branca e Xavantinho. Em 1996, gravou com o violeiro Roberto Corrêa o CD "Voz e viola", no qual interpretou, entre outras, "Flor do cafezal", de L. C. Paraná, "Perfil de São Paulo", de Bezerra de Menezes, "Tamba-tajá", de Waldemar Henrique, "Chalana", de Mário Zan e Arlindo Pinto e "Romaria", de Renato Teixeira. Também com Roberto Correia gravou o CD "Caipira de fato", em 1997,  interpretando entre outras, "A coisa tá feia" e "A viola e o violeiro", de Tião Carreiro e Lourival dos Santos, "Siriema", de Mário Zan e Nhô Pai e "Adeus Campina da Serra", de Cornélio Pires e Raul Torres. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Cantora Regional. Em 1998, participou juntamente com Zé Mulato e Cassiano, Paulo Freire e Pereira da Viola, do disco "Feito na roça", de Bráz da Viola e sua Orquestra de Violeiros, de São José dos Campos.
Com mais de 60 discos gravados, destacam-se, entre outros, "Clássicos da música caipira-volume I", de 1969, no qual interpreta, entre outras, "Chico Mineiro", de Francisco Ribeiro e Tonico, "Do lado que o vento vai", de Raul Torres, "Baldrana macia", de Anacleto Rosas Jr. e Arlindo Pinto, "Sertão do Laranjinha", de Tonico, Tinoco e Capitão Furtado e "Pingo d'água", de Raul Torres e João Pacífico. Gravou, entre outros, composições de João Pacífico, Raul Torres, Teddy Vieira, Angelino de Oliveira, Mário Zan, Tião Carreiro, Marcelo Tupinambá, Villa-Lobos, Guerra Peixe, Hekel Tavares, Noel Rosa, Capiba e Dorival Caymmi. Dentre seus sucessos estão, "O menino da porteira", de Teddy Vieira e Luizinho, "Engenho Novo", de Hekel Tavares, "Trem de Alagoas", de W. Henrique e Ascenso Ferreira, "Cantilena", de Villa-Lobos, "Peixe vivo", do folclore mineiro, "Luar do sertão", de Catulo da Paixão Cearense e João Pernembuco e "De papo pro á", de Joubert de Carvalho. Fez apresentações na França, na antiga União Soviética, Itália, Estados Unidos, Israel, Paraguai e Uruguai, entre outros. Seu disco "Danças gaúchas" é considerado por ela como um dos mais importantes de sua carreira, por ter sido incluído como material básico de estudo no currículo de muitas escolas brasileiras. Ficou conhecida como "A Rainha do Folclore" e é identificada com o que muitos definem como a "genuína música sertaneja".
Em 2000 lançou pelo selo CPC/UMES o CD "Sou mais Brasil", interpretando, entre outras, "Viola enluarada", de Paulo Sérgio e Marcos Valle e "A saudade mata a gente", de João de Barro e Antonio Almeida. Em 2003, aos 78 anos e completando 50 anos de carreira, lançou seu octagésimo disco, o CD "Hoje lembrando". O disco, produzido por Fernando Faro, e com arranjos do maestro Théo de Barros, autor de "Disparada"e "Menino das laranjas", traz para a contemporanidade itens marcantes de seu próprio repertório, indisponíveis em CD, duas canções inéditas de Paulo Vanzolini: o samba "Bem iguais"e "Recompensa", além de destaques como "Ismália" de Capiba, e "Tamba-Tajá" de Waldemar Henrique. Continunado a apresentar o programa "Viola, minha viola", pela TV Cultura de São Paulo, já tornado referência da musicalidade de raiz. Em março de 2004, passou a apresentar o programa diário "Minha Terra", pela Rádio América, em São Paulo. O programa, que é diário, vai ao ar de segunda a sexta, das 6 às 7 da manhã e , aos domingos, às 17 horas. Também em 2004,  recebeu o prêmio Rival BR, na categoria ATITUDE, com o CD "Hoje lembrando", lançado no mesmo ano, pela gravadora Trama.
Em 2005, o programa "Viola, minha viola" completou 25 anos no ar. As comemorações contaram com um programa especial que reuniu a maioria dos artistas que por ele passaram e tiveram nele apoio em suas carreiras. O programa contou também com diversos depoimentos de artistas e jornalistas, falando da importância e significado do mesmo. Nessa ocasião, o "Viola, minha viola" aumentou sua duração para 1 hora e meia aos sábados à noite, sendo reprisado em comnpacto de  1 hora aos domingos, pela manhã. No mesmo ano, foi lançado pelo selo Revivendo o CD "Inezita Barroso - Ronda" com 21 interpretações consagradas da cantora, entre as quais, a música título, de Paulo Vanzolini, "Redondo Sinhá", música folclórica recolhida por Luiz Carlos B. Lessa, "Benedito  pretinho/Meu barco é veleiro", de Hekel Tavares e Olegário Mariano, "Marvada pinga", de Laureano, "Coco do Mané", de Luiz Vieira, "O canto do mar", de Guerra Peixe e José Mauro de Vasconcelos, "Na fazenda do Ingá", de Zé do Norte, "Isso é papel, João?", de Paulo Ruschell, "Roda a moenda", de Haroldo Costa, "Dança de caboclo", de Hekel Tavares e Olegário Mariano, "Mestiça", de Gonçalves Crespo, "Iemanjá", de Nelson Ferreira e Luiz Lima, e "Os estatutos da gafieira", de Billy Blanco. Em 2006, por sua dedicação à preservação da memória da cultura de raiz e ao folclore nacional, recebeu, da Secretaria de Cultura e Turismo da cidade paulista de Pirassununga, através do Decreto nº 3.155, de 12 de julho daquele ano, o título de "Madrinha" de honra da Semana Nenete  de Música Sertaneja, evento que ocorre desde 1995, em homenagem ao cantor e compositor Nenete, tendo como caráter a manutenção da memória das tradições culturais do mundo rural, em especial do interiror de São Paulo. Nesse ano, apresentou-se no evento, reunindo um público de cerca de 10 mil pessoas. Prestes a completar 83 anos e fazendo uma média  de cinco shows por mês, além do programa semanal "Viola, minha viola", na TV Cultura de São Paulo, em março de 2007, apresentou-se no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, na série "Líricas e Populares", cantando com a cantora lírica Nize de Castro Tank, soprano perita na obra de Carlos Gomes,  em duas sessões. No show, interpretou composições clássicas do cancioneiro caipira e sertanejo, como "Luar do sertão", de Catulo da Paixão Cearense. As duas cantoras, de gêneros tão diferentes já haviam cantado juntas, de maneira informal, num pequeno flash, no Sesc de São Paulo, onde estavam sendo premiadas, cada uma na sua área. No show, cada uma cantou seu seu próprio repertório e, no final, fizeram um dueto, com variações sobre "Luar do sertão" e "Romaria", de Renato Teixeira. Ainda no mesmo ano, apresentou-se, pela segunda vez na Semana Nenete de Música Sertaneja, na cidade de Pirassununga, acompanhada de seu regional, o mesmo do programa "Viola, minha viola", liderado pelo violonista Joãozinho Barroso, cantando para um público emocionado que lhe fez coro em diversos momentos. Em 2009, em plena atividade de pesquisa do folclore musical brasileiro, continuou revigorando o programa "Viola minha viola" no qual, além de receber convidados e trazer ao ar artistas representativos da música regional e caipira, sempre brindou o público com interpretações de clássicos da música popular e regional, como em programa especial de junho desse ano, quando cantou "De papo pro ar", de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, "Burro picaço", de Anacleto Rosas Jr., marcando essas canções com seu estilo.
Com mais de 50 anos de carreira com grande reconhecimento do público como cantora, atriz e professora de folclore, carinhosamente referenciada pelos violeiros e artistas sertanejos em geral, dos mais antigos, aos mais jovens, como "madrinha", em 2010, comemorou 30 anos do programa "Viola, minha viola", apresentando uma edição especial, em cuja abertura interpretou "Cabocla Teresa", de Raul Torres e João Pacífico, com seu peculiar vigor e propriedade, acompanhada do já consagrado Regional do programa, liderado pelo violeiro Joãozinho. A escolha da composição se deu pelo fato de esta ter sido a música de abertura da primeira edição do programa. Nessa edição festiva, Inezita recebeu convidados, na verdade, amigos de longa data, como As Galvão, o maestro Mário Campanha, Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léu, Léo Canhoto e Robertinho, Mococa e Paraíso, Zé Mulato e Cassiano, Craveiro e Cravinho, Lourenço e Lourival, todos participantes do programa, desde seus primeiros anos, além de artistas mais jovens como Gilberto e Gilmar, Irmãs Barbosa, César e Paulinho e Daniel.

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