Noel Rosa pode não ter sido o melhor compositor da chamada Época de Ouro da música popular brasileira (1930-1945), mas foi, decerto, o mais importante. De uma importância que pode ser resumida em duas palavras: transformação e integração. Como uma e outra, por si só, não dizem muito, é preciso explicá-las. A transformação que Noel Rosa empreendeu diz respeito à lírica da canção popular. Antes, a letra coloquial, anedótica, debochada, satírica, confinava-se aos limites da canção carnavalesca. As letras ditas “sérias”, principalmente as de cunho romântico, perdiam-se em preciosismos, em imagens parnasianas, em exageros poéticos. Foi Noel Rosa quem demonstrou — com suas letras inspiradas no linguajar do povo, nos episódios do dia-a-dia, nos personagens de sua cidade, nos temas de sua época e ao mesmo tempo de todas as épocas, como os maus governos, a falta de dinheiro, a fome, o crime, a mendicância, a marginalidade, a boêmia — que tudo cabe numa canção “séria”, ainda que haja lugar também para o humor e a crítica irreverente. É verdade que, nessa transformação, ele não esteve sozinho. Pelo menos Lamartine Babo foi um aliado de peso. Mas ninguém, nem mesmo Lamartine, levou tão longe sua proposta: até em suas canções de amor, Noel desce das alturas do poeta derramado para o chão do homem comum. E o faz de forma admirável, única. A letra de música torna-se outra forma de arte depois dele. Quanto à integração, refere-se às conscientes viagens que realizou morro acima (Mangueira, Salgueiro, São Carlos, Serrinha, Gamboa, Favela), atrás dos compositores negros que faziam, nos anos 20 e 30, o melhor samba carioca. Noel tornou-se parceiro deles e, como nenhum outro, integrou-se à estética de cada um. Numa época em que parcerias inter-raciais praticamente inexistiam, o jovem branco, culto, da classe média de Vila Isabel, se uniria a nada menos de 13 sambistas de morro (entre os quais Cartola, Bide e Antenor Gargalhada) para enriquecer a música deles e, principalmente, a sua própria. Com isso, seus sambas tornam-se modelos da grande canção popular da Época de Ouro. Tanto nas letras que a partir dele se descobriu serem possíveis (e até aconselháveis) como nas melodias que os
negros lhe passaram. A que outro compositor-letrista daquele tempo se pode atribuir igual importância?
João Máximo

27
MAI
Aniversariantes
Carlos Pena Filho
Carolina Cardoso de Menezes
Felipe Ávila
Godinho
Ivete Sangalo
Osmar Milito
Renato Rocha
Sérgio Cabral

|
Mais visitados |
|
| 1 | Luiz Gonzaga |
| 2 | Caetano Veloso |
| 3 | Tiê |
| 4 | Chico Buarque |
| 5 | Música Sertaneja |
| 6 | Noel Rosa |
| 7 | Milton Nascimento |
| 8 | Festivais de Música Popular |
| 9 | Pixinguinha |
| 10 | Tonico e Tinoco |