O rock começou a falar português com Roberto Carlos. Tony e Celly Campelo já tinham tentado no fim dos anos 50, mas o sotaque era ingênuo demais, os jovens não se reconheciam naqueles lacinhos cor-de-rosa e túneis do amor, Roberto, com seu eterno parceiro Erasmo Carlos, botou em cena a língua das ruas (“Essa garota é papo firme”), a sexualidade pulsante (“Eu sou o lobo mau”) e a crônica da época (“Eu sou fã do monoquíni”). Cantava anasalado como Anísio Silva, seu ídolo nas guarânias, e suave como João Gilberto, a quem imitava no início da carreira. As letras eram claras, coloquiais e cheias de humor, no justo momento, ali pelo meados dos anos 60, em que a MPB ficava seriosa, tomada pelas palavras de ordem da canção de protesto. A Jovem Guarda era considerada alienada dos problemas sociais, embora alguns vissem em “Quero que vá tudo pro inferno” uma canção contra o regime militar. O forte mesmo era a alegria, o culto aos carrões de um Brasil que começava a se industrializar e às garotas que começavam a ficar mais soltinhas com a pílula anticoncepcional. Roberto fez a consolidação do rock brasileiro, algo antenado com as últimas notícias que vinham de Liverpool, mas sem perder a ternura tão coisa nossa de saudar a dor-de-cotovelo e a fossa de autores que o inspiraram, como Johnny Alf, Tito Madi. A partir do início dos anos 70, esse lado mais sentimental ficou predominante e Roberto, ao mesmo tempo que fez algumas das mais lindas canções românticas da MPB (“Detalhes”), tornou-se também um autor repetitivo e interessado apenas em adular um público que foi envelhecendo junto com ele.
Joaquim Ferreira dos Santos

27
MAI
Aniversariantes
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Felipe Ávila
Godinho
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